sexta-feira, 19 de março de 2010

A Família Kruel em Santa Maria


Os artigos veiculados neste blog podem ser utilizados pelos interessados, desde que citada a fonte: MOUSQUER, Zélce Darclé. (Inclua o título e data da postagem) in http://www.familia-kruel.com.br, nos termos da Lei nº 9.610/98.

A FAMÍLIA KRUEL EM SANTA MARIA

Astrogildo de Azevedo por ocasião do equivocado Centenário da Fundação de Santa Maria de 1914, escreve: O início da imigração alemã em Santa Maria remonta pouco mais ou menos ao ano de 1830. É certo que, antes d’isso, existiram alemães aqui como em toda parte,mas sua influencia foi sem duvida tranzitoria e apagada, porque a tradição a eles se refere vagamente.
A elevação do Oratório a Capela Curada do Acampamento de Santa Maria da Boca do Monte ocorreu em 1812, mas como o Livro do Tombo do Curato foi aberto pelo primeiro Cura em 1814, isto gerou o equívoco das Comemorações de 1914.

Santa Maria, nesta época, uma incipiente povoação originária de um acampamento de delimitação de fronteiras, atraiu os colonos em busca de tranqüilidade para o trabalho. A povoação crescia, recebendo soldados, colonos, e servindo de parada obrigatória para aqueles que se dirigiam para as Missões ou fronteira Oeste.

O viajante Arsène Isabelle, (ISABELLE,1983,p.38) passou pela localidade em 1834 e escreveu: Observa-se muita atividade nesta população do centro da província; Santa Maria é o mercado comercial dos lugarejos dos arredores, compreendidos entre Cachoeira, Caçapava, Alegrete e São Borja [...].

Cardoso, 1978, p. 16 nos diz que

...a partir de 1835, quando o seu comércio ( da povoação de Santa Maria) e os negócios pastoris se desenvolviam prodigiosamente. O Curato contava com mais de cem estabelecimentos pastoris entre estâncias, grandes e pequenas, nas quais abundavam o gado vacum e o cavalar. Em 1835 a sedo do Curato possuía mais de 160 moradias e quase duzentos prédios espalhados por toda a circunscrição, que se orgulhava de contar com quase 2.300 habitantes.

Em Brenner, 1995, p.77, lemos: Muitos compatriotas desses pioneiros (refere-se aos Niederauer, Hoffmeister, Cassel, Weinmann, Winck, Hoehr, Becker, Holzbach...) afluíram, então, para a povoação, agora sede de Freguesia, principalmente após o reinício, em fins de 1844, da corrente imigratória alemã no Brasil, interrompida em 1830. Os novos migrantes procediam, principalmente, da Colônia Alemã de São Leopoldo.

Hoffmeister Filho, 1980, p.47, cita Carl/Carlos Kruel entre os imigrantes que se transferem para Santa Maria entre 1835 e 1836, juntamente com Matheus Hoffmeister, João Niederauer, Gabriel Haeffner, e outros.

João Belém, 1933, p. 96, relaciona Carlos Kruel entre os que passaram a residir na localidade de Santa Maria entre 1846 a 1858. Escreve, também, que ao explodir a Revolução Farroupilha já comerciavam, na sede do curato, dois alemães – João Appel e Gabriel Haeffner. Outros vieram durante a revolução até final de 1845. (BELEM, 1933, p.80).

Ignoramos o ano em que Carlos Kruel e Juliana Bier migram para o centro da província, porém o fato de nenhum filho do imigrante ter nascido em Santa Maria, e encontrarmos nesta cidade, registros de batismo de seus netos a partir de 1846, parece indicar que os Kruel abandonam a região colonial de São Leopoldo e dirigem-se para a Freguesia de Santa Maria da Boca do Monte, após a venda de suas terras em Dois Irmãos (1841).

Talvez a família tenha permanecido por algum tempo na região de São Leopoldo após se desfazer das terras, encaminhado-se para Santa Maria em torno de 1845/1846, período do grande afluxo de alemães na região.

Conseguimos relacionar os que de 1846-1858 domiciliaram-se na localidade, concorrendo também para o seu progresso material e desenvolvimento social. Foram: Jacob Luiz Laydner, Jorge Noethen, Carlos Schultz (primeiro pintor que teve Santa Maria), Carlos Kruel, Felipe Fucks, Carlos Brenner, Conrado Zimmermann, Gaspar Laypold, Francisco Schmitt, José Matheus Alles, Felipe Fleck, João Kittmer, Godfried Lindemeyer, Alexandre Hagenstorn, Felipe Carlos Alt, André Weber, Felipe Kuemmel, Pedro Licht, João Henrique Druck, Pedro Stock, Jacob Lied, Jacob Carlos Becker, Miguel Lau, Guilherme Gauer, Jorge Heim, Adolfo Homrich, João Graef, Guilherme Gaiger, João Feldmann, Adolfo Kemery, Adão Noschang, Henrique Klapper, Jens Jensen, Miguel Kroeff, Jacob Albrecht, Agostinho Ribbrock, Conrado Scherer, José Feliciano Hochmueller e João Frederico Mergener. (BELÉM, 1933, p. 96).

Os Kruel encontram uma Santa Maria recuperando-se do decênio da luta farroupilha, onde campos despovoados, a povoação deserta de homens jovens, o comércio fraco, geravam ansiedade e expectativa.

Nas palavras de Belém, 1933, p. 84.
Finalmente voltam à casa todos os que não tombaram na cruenta campanha. Os campos começam a ser povoados de novo e as terras arroteadas. O comércio respira completamente desafogado, as indústrias retomam o caminho interrompido. A faina das fazendas recomeça com vigor, procurando cada qual resarcir seus prejuízoa materiais à custa de esforços inauditos. Uns, orgulhosos de seus feitos, narram os episódios de que foram parte; as mulheres choram seus entes queridos mortos na luta fratricida; e outros lamentam o tempo esperdiçado na brutalidade da guerra civil. A alegria volta agora apagando as dissenções.

A povoação tivera início com a vinda das Missões, da Comissão portuguesa Demarcadora de Limites, que instalou seu acampamento, em torno de 1797, na sesmaria do Padre Ambrósio José de Freitas, no despovoado local denominado Rincão de Santa Maria. Esta comissão tinha a finalidade de realizar a demarcação dos limites entre as possessões portuguesas e espanholas, decorrentes do Tratado de Santo Ildefonso, de 1777. Quando a Comissão retira-se para Porto Alegre, em 1801, deixou o povoado com habitações, alguns habitantes e um pequeno oratório.

Os novos moradores, já encontraram ali estabelecidos desde o início de 1829, militares alemães do 28º Batalhão de Caçadores, que vieram do centro do país para combeter na Cisplatina. Com o fim da guerra, em 1828, o batalhão se dispersou, mas a grande maioria do contingente permaneceu em Santa Maria. Uma já instalada população alemã, com certeza, estimulou a vinda de colonos, comerciantes e artesãos para o curato.

Inicialmente, o povoado de Santa Maria era o 4º distrito da Vila Nova de São João da Cachoeira. Em 1837, durante a Revolução Farroupilha, foi criada a Freguesia de Santa Maria da Boca do Monte, episódio da maior importância, pois Santa Maria deixava de ter uma Capela Curada, subordinada a Matriz de Cachoeira, para também ser Matriz.

"...em 1846, foi definitivamente organizada a qualificação eleitoral, pela qual se constatou que Santa Maria possuía 209 eleitores, um elevado e muito significativo número." (CARDOSO, 1978, p. 26).

A freguesia foi elevada à condição de vila em 1857 e em 1858 foi instalado o novo Município e a sua Câmara de Vereadores. Finalmente, em 1876, a Vila de Santa Maria foi elevada à categoria de cidade.
Neste período, a principal fonte de riqueza do município era proveniente do trabalho nos campos, o comércio e a área da indústria, prosperavam.
Carl Ludwig Wilhelm Kruel (Carlos Kruel) faleceu em Santa Maria, em 5 setembro 1871,vivera 81 anos. Sua esposa, Juliana Bier, falecera um ano antes, no dia 21 agosto 1870.

Para fins de melhor compreensão, passo a referir-me ao imigrante Carl Ludwig Wilhelm Kruel como CARLOS KRUEL, nome adotado no Brasil.

Em 1864, o imigrante Carlos Kruel, presta depoimento perante o juíz (prestação de contas referente à função de tutor dos netos – filhos de Carlos Kruel Filho) através “de seu intérprete”, alegando desconhecer o “idioma deste país”. Possivelmente, estivesse referindo-se ao filho Christiano Kruel.

Planta da cidade de Santa Maria, assinada pelo agrimensor José Neher, datada de 1902. Disponível em MARCHIORI e NOAL, 1997, p. 84. Note-se a indicação da residência de Maria Kruel.

Residência da Família Kruel em Santa Maria/RS.

De acordo com a planta de José Nehrer (acima citada), o casarão no centro da foto, junto à Praça Saldanha Marinho, pertenceu à família Kruel, tendo sido esta planta a única fonte em que está baseada a informação encontrada em MARCHIORI e NOAL, de que o casarão pertenceu aos Kruel.

Hoje, temos ali a Rua Roque Callage. Os prédios que estão à sua direita, deram lugar ao Fórum e ao Banco Pelotense ( atualmente o Banrisul). No prédio à esquerda , instalou-se, mais tarde, o jornal “A Razão. A Fotografia faz parte do acervo do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.

Segundo pesquisa no Ofício de Registro de Imóveis, em Santa Maria, realizadas por José Antonio Brenner, o casarão na Praça Saldanha Marinho foi transmitido por Conceição Villa Machado a Francisco Dutra Villa, em 24 de setembro de 1924. Como não há registro anterior, não temos como confirmar se, alguma vez, antes disso, o imóvel pertenceu à família de Carlos Kruel.

Mais tarde, a parte maior da casa pertenceu a Ricardo Rabenschlag, e a parte menor a Adolfo Otto Brinckmann. A viúva desse último, Maria das Dores Brinckmann e outros proprietários venderam à Prefeitura Municipal, que ali abriu a Rua Roque Callage, no final dos anos 1930.

Nessa época, a propriedade estava em dois terrenos pertencentes à família Cauduro, que a venderam à Prefeitura Municipal que a repassou ao Estado, para a construção do edifício do Fórum, inaugurado em 3 de julho de 1944.
Os dados do Ofício de Registro de Imóveis, em Santa Maria, foram pesquisados até 22.1.2010 por José Antonio Brenner.
Praça Saldanha Marinho, onde vemos a suposta casa da família Kruel.

Fotografia de 1905, tomada da Igreja Matriz, em construção. Os prédios da face sul foram demolidos e em seu lugar foram construídos, da esquerda para a direita, o Banco Pelotense (atualmente o Banrisul), o Fórum e a abertura da Rua Roque Callage. Note-se, à direita, a Rua do Acampamento. Disponível em MARCHIORI e NOAL, 1997, p. 87.

Entorno da Praça Saldanha Marinho. Vê-se na lateral direita (esquina) a residência de João José Pinto que a vendeu ao Banco Pelotense, para ali construir seu edifício, inaugurado em dezembro de 1923. Ao fundo, à esquerda, vemos o Theatro Treze de Maio, na data da foto (1913). Em agosto desse ano,o imóvel passou à propriedade da Intendência Municipal,que comprou as ações da Sociedade Theatral Treze de Maio e alugou o préio ao Diário do Interior. Em 1995, o Theatro Treze de Maio, após tres anos de reconstrução foi inaugurado. Do antigo prédio, só foram conservadas as paredes externas. Mais tarde, entre estes dois prédios, teremos o Cine Teatro Independência . Acervo do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.

Informações enviadas por José Antonio Brenner, pesquisador Santa -Mariense.

Fontes:

Revista Comemorativa do Primeiro Centenário da Fundação da Cidade de Santa Maria. Arquivo Histórico Beno Mentz – UFRGS.
ISABELLE, Arsène. Viagem ao Rio Grande do Sul: 1833-1834. Traduzido por Dante de Laytano. Caxias do Sul: Martins Livreiro. 1983.
CARDOSO, Edmundo. A História da Comarca de Santa Maria. 1 ed. Santa Maria: Livraria Pallotti, 1978.
BRENNER, José Antonio. A Saga dos Niederauer. Santa Maria: Editora da UFSM,1995.
HOFMEISTER FILHO, Carlos Bento. O pote de geléia. Porto Alegre:Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, 1980.
BELÉM, João. História do município de Santa Maria. Porto Alegre: Livraria Selbac, 1933
UNIJUI/RS, Museu Antropológico Diretor Pestana/Divisão de documentação/UNIJUI/RS - MADP, Genealogia manuscrita - Padre Pio Busanello.
MARCHIORI, José Newton Cardoso, NOAL Fº, Valter Antonio (Org.). Santa Maria – Relatos e impressões de viagens. Santa Maria: Ed. da UFSM, 1997.

3 comentários:

  1. keee poodree esse blog é so pra se isibi a familia krul!!!!!!!!!!!!
    que meerda de blog !! vai acha o que faze a não se se isibiii

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  2. Muito interessante toda esta informação. Sou neto de um Kruel e adorei ter acesso a tanta informação. Agradeço muito pelo teu trabalho.

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    1. Tales fico contente em saber que gostastes do blog.

      Um abraço

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